O (des)Encontro

fevereiro 08, 2010

Era suposto ser perfeito.

Ela acordou cerca de meia hora atrasada, mesmo assim, depois do duche passou creme no corpo, mudou 5 vezes de roupa e maquilhou-se. Saiu de casa sem almoçar, não tivera tempo para isso. Já estava cerca de 40 minutos atrasada, apanhou o autocarro, já passaram dois depois do que devia apanhar. Procurou o telemóvel, esperava encontrar chamadas perdidas e mensagens não lidas, mas não. O silêncio dele preocupava-a. Mesmo assim marcou o número dele e ligou, não passou nem um segundo e telemóvel desligou-se. Não o carregara - lembrou-se! Continuou o seu caminho na esperança que mesmo uma hora depois, ele ainda lá estivesse. Mas não, ele já não lá estava. Pensou em esperar, olhou para o relógio, já tinha passado uma hora e 10 minutos da hora combinada era normal que ele já não lá estivesse. Caminhou até à praia, para não perder a viagem. Sentou-se na rocha mais alta, o mar estava furioso e o céu cheio de chuva. Observava o mar com a intenção de este arrancasse todo aquele sentimento de culpa do seu interior. Não tardou e começou a chover, protegeu-se da chuva. Luminoso e assustado, o relâmpago fez um só rasgo no céu e morreu bem ali no seu horizonte, o tempo não se fez tardar para dar a ouvir o seu estrondoso morrer. Avistou-o, trovejou novamente e voltou a trovejar. A chuva estava agora mais intensa. Largou o chapéu e caminhou para ele. Como se aquele fosse o locar de encontro. Como se aquela fosse a hora do encontro. E em menos de um incessante segundo abraçaram-se. Segredou-lhe ao ouvido - Desculpa - acabou por ouvir, ao mesmo tempo, a mesma palavra, não entendeu, mas aceitou. Eram agora um só, num abraço que quebrava a linha do horizonte vista de um casal de velhotes, outrora apaixonados.

casal abraço young couple hug
E foi.
Ele acordou cerca de 30 minutos atrasado. Mesmo assim, depois do banho passou creme no corpo, mudou 3 vezes de roupa e mudou 5 vezes de penteado. Devorou uma sandes enquanto descia a escadaria do prédio. Procurou o telemóvel, esperava encontrar chamadas perdidas e mensagens não ligas. Mas não, o silêncio dela preocupava-o. Marcou o número dela e ligou - O cliente Vodafone para o qual ligou, tem neste momento o telefone desligado, por favor tente mais tarde. Pegou a mota e reparou que não tinha gasolina. Foi até à bomba mais próxima abastecer. Pegou a estrada, cheia de trânsito. Furou filas o mais rápido que conseguia na esperança que mesmo uma hora depois ela ainda lá estivesse. Mas não, ela já não lá estava. Pensou em esperar, olhou para o relógio, já tinha passado uma hora e 15 minutos da hora combinada. Começara agora a chover, abriu o chapéu-de-chuva e caminhou em direcção à praia. Nesse mesmo instante o dia clareou num só flash e seu estrondo parecia vindo do além. Viu alguém sentado em cima da rocha mais alta. Trovejou e voltou a trovejar. Era ela, que largou o chapéu e caminhou até ele. A chuva tornou-se mais intensa. Correu ele, agora também já sem chapéu-de-chuva. Em menos de um incessante segundo abraçou-a como se aquele fosse o local de encontro. Como se aquela fosse a hora combinada. Segredou-lhe ao ouvido – Desculpa - acabou por ouvir, ao mesmo tempo, a mesma palavra, não entendeu, mas aceitou. Eram agora um só, num abraço que quebrava a linha do horizonte, vista de um casal de velhotes, ainda apaixonados.

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