Vivo, com as memórias que trago na bagageira

outubro 15, 2010

Christmas candy tree kids
"... Lembro-me, como se fosse hoje, no ano que parei de acreditar no Pai Natal, naquela altura ainda vivia em São Pedro do Estoril e tinha apenas cinco aninhos. Saí do quarto em pezinhos de lã. Não demorei muito tempo a entender o que os meus pais faziam na cozinha rodeados de embrulhos, grandes caixas de brinquedos, laços e fitas decorativas. Em pezinhos de lã, voltei para o quarto, para a cama. Naquela noite mal dormi. Até aquela noite acreditei que um homem gordo, de olhos azuis, de barba grande e branca e com um grande saco às costas, descia pela chaminé e no frio da noite lá deixava os presentinhos em baixo do grande pinheiro vestido de luzes e bolas douradas. Agora a única verdade é que o senhor de sorriso simpático não existe. No dia seguinte, num tom calmo, a voz doce da minha mãe disse-me: "O Pai Natal este ano veio mais cedo!" - Olhei para o grande pinheiro e sorri timidamente e à menina de cinco anos. Não quis estragar a magia que envolve todo o Natal e consequentemente, durante mais um par de anos os meus pais acreditaram que eu ainda acreditava no Pai Natal. Agora o Natal já não é assim. Já não tem aquele toque de magia que o senhor gordo deixava. Agora a magia do Natal resume-se ao caótico centro comercial, onde as pessoas andam feitas baratas tontas à procura da prenda ideal que só o Pai Natal sabia qual era. ..."

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