Herói

novembro 27, 2010

Hero Herói
A cidade conformou-se com a tua ausência e tornou-se monótona, monótona demais para mim, parou de sorrir e de brilhar. A cada inverno que passava a chuva era apenas mais chuva e o frio parou de gelar. O verão parou de ser intenso e sufocante. Ao inicio ainda sentia-a ansiar-te. À noite ouvia a sua ansiosa respiração que esperava-te, certa que era aquela a noite que regressavas. Mas tu não voltaste para nós, e noite após noite a respiração tornava-se cada vez menos ofegante, menos ansiosa de ti. Aos poucos a cidade foi-se confortando com a tua ausência, apesar de ainda hoje não dormir, ainda hoje esperar-te. Custou-me a mim sabes ? Custou-me vê-la parar de sorrir e esperar-te, vê-la perder o brilho e a pressa. Mas sabes o que mais custou? Ver-te partir... Sim porque eu vi-te ir, naquela indecisa manhã... Não levavas bagagens, ias apenas tu é todo o bem que me fazias, quer a mim, quer à cidade. À mesma cidade que agora é desfocada, morna , que não tem cheiro nem cor. À mesma cidade que só agora apercebeu-se do enorme espaço que há entre o céu, outrora azul e a terra batida, outrora fértil. À mesma cidade que hoje apenas conhece a ignóbil mente humana que dela se serve. Custou-me porque não foram as asas que tu perdes-te mas sim a coragem de te atirares de cabeça. Sabes que vais ser sempre lembrado como um herói, o herói das asas que tinham medo de voar.

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