Little bird

dezembro 29, 2010

Little bird
Como um pequeno pássaro que não volta escapaste-te de mim. Deixe-te escapar por entre mãos que tinham medo de ti e submeti-me à tua mercé como quem espera com esperança. Solto e livre de ti mesmo voaste sem direcção e voltaste, voltaste para quem um dia estendeu-te a mão e esperou que pousasses e comesses sobre a sua palma. Foi isso... Eu esperei-te impacientemente esperei-te. Em troca tu ias e vinhas... Deixando ora vazios ora sorrisos saturados. Não me estou a queixar, longe disso. Digo-te com certezas que de entre o que me destes, o que não deste e o que levaste de mim, fez-me bem. Enquanto não estavas, deixavas-me aqui, comigo mesma dona mas minhas próprias palavras, das minhas próprias acções, dos meus próprios gestos, das minhas próprias atitudes, dos meus próprios medos. Dona de mim e dos meus sonhos. Quando não estavas, era os sonhos quem me davam a mão, eram os sonhos que caminhavam bem do meu lado sem nunca queixarem-se das dores do passado nem da ansiedade do futuro... Mas eram sonhos e meus, não os posso culpar por palavras ditas ou pelas que ficaram por dizer, não os posso culpar pelas pessoas que fui abandonando e deixando no meio da corrida não olhando sequer para traz, não os posso culpas pelas lágrimas causadas nem pelos sorrisos abertos, não os posso culpar pelos momentos vividos e os que ficaram por viver nem pelas amizades perdidas nem pelas que ficaram mais fortes, pelas pessoas que conheci e pelas que tornaram-se em algo que desconhecia, pelas pessoas que me deram força e que fizeram sorrir, pela força que vinha de mim mesma quando tinha de me levantar do chão que já gelava. Sei que o fizeste por mim, e não te arrependes tu nem eu. Com um bater de asas suaves, voltas... Pousas em mim os encantos que viveste quando longe... Afago-te agora a cabeça com palavras doces «cada momento teve a sua beleza, cada dia o seu brilho, cada pessoa a sua magia», como se tivesse que te consular pela ausência... Como se quisesse que fosses para a tua última partida sem volta descansado do que perdeste. No fundo sei que quero... No fundo quero um novo passarinho que fique sempre comigo, que não me abandone-me em momento algum... E que não me deixa nunca sofrer... Mas afeiçoei-me a ti e às tuas ausências, afeiçoei-ma às aprendizagens que me obrigaste a fazer sozinha, afeiçoei-me a desenvencilhar-me... Afeiçoei-me a mim. 


Na metáfora do amanha, entendes que o pássaro é um ciclo com fim apenas em nós e o passarinho o futuro próximo que anseia em chegar.

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