3 minutos

fevereiro 21, 2011

We create our own demons
Só mais 3 minutos. Esta foi sem dúvida a primeira frase que consegui dizer para mim mesma. Não foi dita por volta das habituais sete da manha nem pelas dolorosas seis da manha. Eram exactamente oito e um quarto quando o despertador fez-se ouvir e despertou-me para mais uma rotina. Esquecida da rotina aninhei-me mais entre os cobertores e desejei que o tempo mudasse repentinamente, sem mais nem porquês. Desejei que começasse a chover a potes, dia e noite, sem parar nem por um só único segundo.  Desejei que todas as gotas que o imenso céu tem desabassem na Terra como se não houvesse amanha. Desejei ir à janela ver todas as pessoas irem à sua vida, ver todas elas encharcarem-se no mesmo nano-segundo que põem o pezinho fora de casa.  Desejei que elas se sentissem encharcadas, molhadas. Desejei também que a chuva lavasse, ao contrário do que faz sempre que nos faz uma visita. Desejei que se sentissem culpadas e que se deixassem lavar pela chuva. Desejei começar ver fumaça em forma de gente sair dos corpos dessas mesmas pessoas. Desejei ver Asmodeus Belphegor Mammon Leviatã Azazel Belzebu e Lúcifer, como não podia deixar de ser, sair e desvanecer no céu carregado de nada. Desejei ver as pessoas limpas dos seu pecados, desejei ver as pessoas ficarem livres da luxúria que as cega, da preguiça que as limita, da ganância que as faz pedir por mais, da inveja que as corroí, da ira que as controla, da gula que ironicamente as consome e como não podia deixar de ser do orgulho que as mata. Desejei ver as pessoas vazias das coisas que no cerne da questão as move. Passaram-se os desejados três minutos e nada mais, mais uma vez o despertador fez-se ouvir e voltou a despertar-me para a rotina do dia-à-dia. Mais uma vez vou eu, sair de casa e ver sem querer, com olhos de quem observa os demónios que todos carregamos em nós. 

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