ene

outubro 07, 2011

ene
Chegam, sentam e tiram o telemóvel do bolso. Esperam que lhes mandem uma sms enquanto escrevem a outros a dizer que estão ocupados... Estão sozinhos, à mesa de um qualquer café, com a reles esperança que a presença do telemóvel no tampo da mesa retire o efeito do "sozinhos". Na volta já nenhum amigo diz nada, nessa altura abre-se o java e joga-se qualquer coisa, nem que seja dados, a coisa é ter o telemóvel na mão, são seres saciáveis certo? Mais tarde a maquina é pousada novamente na mesa, na terrível esperança que vibre e que todos a ouçam, mas a máquina telemóvel não dá sinal de vida. Voltam a colocá-lo entre as duas mãos, percorrem o menu só pare averiguar que ainda nada mudou. Olham incessantemente para todos os cantos do café como se tivessem atrasados ou como quem espera alguém. Observo. Sentada à mesa de um café qualquer, com o telemóvel no bolso, muitas das vezes num silêncio adormecido, sozinha. Tenho os olhos fixos em lugar nenhum, uma ou outra vez reparam nos seres das máquinas, mais vazios que a flor que hoje balança ao som do vento.

You Might Also Like

0 comentários

Subscribe