«12 de Setembro de 2012, Quarta-feira

junho 20, 2013

Se há coisa que não gosto é de chegar atrasada, mas autocarro estava atrasado, era a minha primeira aula àquela cadeira e o autocarro estava atrasado - coisa de minutos, mas atrasado! - Saí do autocarro e a faculdade pareceu-me maior, odiei andar numa faculdade com um campus tão grande, assim como a odiava todas as vezes que estava atrasada, quer para uma aula quer para o autocarro. Passei por pessoas, poucas afinal a faculdade é uma paz de alma até chegarem os caloiros. Já estava cansada e ainda nem metade do caminho tinha feito, as minhas longas pernas já não podiam dar passos nem mais rápidos nem maiores, já suava e nem sequer estava calor, aliás estava com o cabelo esticado e a rezar para que não começasse a chover, de tão escuro que estava o céu. Avistei finalmente o edifício onde que ia ter aulas, fui pelas traseiras por ser mais perto, ao aproximar-me de um lance de poucas escadas retirei os auriculares e fui ao telemóvel desligar a música "nova mensagem", desci, desliguei a música e entrei para o edifício, frio com luzes amarelas e detalhes em azul, era estranho, assustador e também a minha segunda casa, tentei pensar em que sala era a aula mas nada, a única certeza é que ou era no segundo piso ou no terceiro, decidi tentar o segundo, comecei a subir as escadas em caracol e abri a mensagem. Li as primeiras palavras e dei um passo para trás, segurei-me ao corrimão e li o resto da mensagem na diagonal, já com todas as letras desfocadas pelas inevitáveis lágrimas. Por segundos mantive-me parada o com o olhar fixo em lado nenhum, não sabia o que fazer, guardei o telemóvel no bolso das calças e continuei a subir aquelas irritantes e em caracol escadas, virei à esquerda para a casa de banho onde limpei as lágrimas, dei um jeito ao cabelo para não parecer tão despenteado meti batom e segui para a sala. Abri a primeira porta de vidro e todos os meus colegas olharam para mim, abri a segunda e entrei... 

- Entre entre, seja muito bem vinda, sente-se sente-se - disse-me uma cara, sorridente baixinha e já com alguma idade, que nunca tinha visto na vida. 
- Bom dia professor. 
- Bom dia, como é que se chama? E porque está nesta curso? 
- (West e sinceramente cada vez sei menos o porque que estou nestes curso...) West e estou neste curso, porque, há qualquer coisa na química que me fascina... 
- Espero que a química quântica lhe fascine... 
- Por acaso é das áreas da química que menos gosto... 
- Vou conseguir mudar isso até ao final deste semestre! 

Sentei-me entre dois amigos meus e um deles disse-me algumas palavras que nem sequer ouvi, mas respondi-lhe que sim. Peguei no telemóvel e respondi à mensagem, a conversa foi curta, de duas ou três mensagens se tanto e eu sentia-me cada vez pior. Decidi prestar atenção à apresentação dos meus colegas e o que estavam a fazer neste curso, assim como a apresentação da cadeira que, cada vez gostava menos. Seguiram-se duas aulas, cada uma de hora e meia, demos em ambas, como já era de se esperar, matéria. Este dia estava a ser simplesmente infernal. A viagem para casa era hoje mais longa, não aguentava mais ver pessoas e foi no autocarro, quase a chegar a casa, que começaram a escorrer as primeiras lágrimas, acelerei o passo e tão cedo fiz-me chagar a casa. Estava sozinha, mantive a casa fechada e escura, não tinha força para nada, deitei-me na cama e chorei como nunca tinha chorado em toda a minha vida. » Continua, mas talvez não no blog.

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7 comentários

  1. Confesso que fiquei com vontade de ler mais :)

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  2. É verdade?
    Mesmo que não seja, quero mais! :o

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  3. queria tanto ler o resto e aparentemente não sou a única, por favor escreve aqui :)
    que jeitinho que tens para isto, mesmo.
    sorrisos para ti

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  4. Isto tem continuação?
    E eu não quero que chores :c

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