Mas afinal, não somos a mesma?

outubro 31, 2017

Encontrei este texto por aqui, nos rascunhos do meu blogue. Li e gostei do que li. Estranhei, como se o tivesse a ler pela primeira vez, mas não, o texto abaixo foi escrito por mim. Apesar de datar 2016, no editor do blogue, eu sei pela escrita e situando isto na minha crise existencial (quem nunca teve uma?) que este texto deve ter sido escrito em... 2012, não acredito que ele seja mais recente que isso! Inclusive fui ao arquivo do blog e o tipo de escrita realmente se enquadra em 2012. 


girl on bed

Não faz sentido, para mim, traduzir para inglês, assim como, também não faz sentido corrigir qualquer tipo de erro, por isso não o vou fazer. Quero que os meus novos leitores leiam, as raízes nuas e cruas do blog da Mó.


«entrei em modo de guerra comigo mesma. duas pessoas distintas que no fundo são a mesma, é a melhor definição que encontro para mim, não sou apenas uma, mas sim duas que tão bem se conhecem e chocam. chocam constantemente. são pessoas diferentes com idealismos e crenças diferentes embutidas no mesmo corpo e por isso chocam e entram em guerra como quem come pipocas quando vai ao cinema, parece natural, mas no fundo é simplesmente estranho, e esta sou eu novamente, naturalmente estranha. estranha aos meus olhos e a todos os meus sentidos. os pensamentos disparados à queima-roupa pelas duas, encontram-se misturam-se envolvem-se num todo que forma um turbilhão vazio de coisas estranhas, sobre as quais não lhes acho ordem alguma. é estranho, eu sei, melhor nós sabemos e não há nada que possamos fazer, se não continuar a viver sobrevivendo neste mesmo corpo que já nada quer connosco. ele está farto e cansado, arrasta-se para trás e para a frente esquecendo-se do propósito para que o faz, mas faz e nós sorrimos uma à outra, mesmo em posição de ataque-defesa sorrimos um sorriso amarelo e tentamos enganar-nos a nós mesmas que está tudo bem quando não está. quando uma quer e a outra não, mas afinal não somos a mesma? não passa de uma pergunta sem resposta e esta sou novamente eu, uma pergunta sem uma resposta logicamente possível. sou apenas duas metades de mim, sim é isso. algo difícil de compreender e interiorizar, mas depois de todo este tempo a pensar e repensar no que sou, interiorizei isso. obriguei-me a saber o que sou, duas metades de mim, cada uma delas tão abstracta como um quadro com mais de mil leituras, mais de mil significados possíveis e nenhum deles absoluto. não sou maleável como a plasticina, mas sofro uma metamorfose directa e constante. não dou por ela, na verdade, às vezes, não dou por muita coisa que acontece ao meu redor, outras vezes, dou por todas, todas as palavras são ouvidas e os micro-movimentos assimilados. um em mil, são os dias em que isto acontece, mas quando acontece é um lavar de tudo e voltar a sobrecarregar o cá dentro novamente com coisas que mais ninguém vê ou repara. eu reparo, melhor nós reparamos, e somos uma só quando isto acontece, um em mil, apenas um em cada mil dias baixamos os braços e damos as mãos e sentimos com a mesma intensidade tudo o que nos rodeia, um em cada mil dias sorrimos e damos gargalhadas uma para a outra, ou melhor para mim mesma, afinal um em cada mil dias somos simplesmente a mesma.»


Com amor, Mó 

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5 comentários

  1. Adorei o texto! Ainda bem que o tiraste dos rascunhos :)

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  2. É incrível quando lemos textos antigos, entender e agradecer por termos passados por cada etapa

    Beijos!

    EsmaltadasdaPatyDomingues

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  3. Sabes o que significa, teres encontrado um texto antigo mas que ainda te revês completamente? É que a tua essência continua igual. Os teus valores, aquilo em que acreditas, os teus sentimentos, aquilo que valorizas. Isso é bom, tenho a certeza! :)

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  4. Muito giro o texto! :) Ainda sentes "a outra metade de ti"?

    R: Obrigada!!! :')

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