Phone Wall

maio 20, 2018

Sempre fui da opinião que a internet, acaba sempre por afastar as pessoas que mais perto estão de nós. Lembro-me de ter partilhado este pensamento com a blogosfera, num blogue meu antigo, ainda no tempo que o Hi5 estava ao rubro; no tempo em que ficávamos felizes em conseguir fazer login em cinco contas diferentes no msn, num só computador; no tempo em que já existia, mas ninguém sabia muito bem como usar o tumblr.

phone wall campain o blog da mó
THE MORE YOU CONNECT, THE LESS YOU CONNECT

Sim, há mesmo muito tempo que já sentia isso. Talvez porque passei a conviver - se é que assim posso chamar - cada vez mais tempo com os meus amigos através de um ecrã e cada vez menos ao vivo. E verdade seja dita, a cada vez que fechava o ecrã do computador sentia-me sozinha e apercebia-me do silêncio que a internet é. 

Os avanços da tecnologia são incessantes e não pararam por ai. Cedo chegou o smartphone - que fez e faz de nós cada vez mais tolos. Antes de mais quero deixar claro que eu uso - e muito - o meu smarphone. Uso-o para comunicar-me com as pessoas e tirar fotografias, uso-o para ouvir música e ver vídeos no youtube. Uso-o para diversão, mas também para ler artigos no caminho casa-faculdade, uso-o muito para o blog quer seja para ler os vossos comentários, as vossas publicações ou até mesmo ler uma ou outra coisa que tenha escrito. É um pequeno computador que tenho na minha mão, que vai comigo para todo o lado e, se calhar, já não sei viver sem ele. 

phone wall campain
THE MORE YOU CONNECT, THE LESS YOU CONNECT

Mas, e é aqui que chegamos ao cerne da questão. Eu sei quando o devo pousar. Quando estou com os meus amigos e familiares evito, estar constantemente no telemóvel. Não digo que não responda a uma mensagem ou outra, mas evito ao máximo utiliza-lo por mais de uns segundos. E como diz Shiyang he, usar um telemóvel durante uma conversa é como levantar um muro entre as pessoas. E eu não podia concordar mais!

Quem convive comigo, já deve ter percebido que se estiver a falar com alguém e essa pessoa começar a mexer no telemóvel eu calo-me e espero que a pessoa tire os olhos do pequeno ecrã para continuar a falar. Talvez por já saber que, se continuar a falar a pessoa não vai ouvir nem metade; talvez para dar-me tempo de respirar fundo e não deixar-me afectar por isso, não sei. Mas sei que é verdadeira, essa sensação de se ter levantado um muro. 

phone wall campain
THE MORE YOU CONNECT, THE LESS YOU CONNECT

Shiyang he é o criador das três imagens que ilustram esta publicação. As imagens pertencem à campanha, de 2013: Phone Wall - The more you connect, the less you connect, da empresa publicitária Ogilvy & Mather China, que retrata a forma de como o smartphones podem danificar as nossas relações com os nossos familiares. 

Acho que são três imagens muito poderosas, que falam por si mesmas dispensando descrições. O que acham sobre este assunto? Também costumam sentir o tal muro?

Com amor, Mó  

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4 comentários

  1. As tecnologias são ótimas, as o uso excessivo que fazemos das mesmas acaba por nos prejudicar. E na relação com o outro constrói mesmo esse muro, até porque nos acomodamos à facilidade de comunicar com alguém sem precisarmos de sair de casa. No entanto, importa entender que nada será melhor do que uma mesa cheia de amigos.
    Sou como tu, quando estou com as pessoas evito ao máximo mexer no telemóvel. E se tiver que o fazer evito demorar. Acho que é uma questão de respeito e de consideração pelo outro. Por isso, também gosto que tenham essa atenção comigo

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  2. Certa vez o Sr Bruno Nogueira falou disso num programa. O ponto dele era de que o autor desse ato está a transparecer ao seu interlocutor que este não é suficientemente interessante. "A tua conversa é boa, mas não me chega..."
    Concordo em parte come esse ponto de vista, mas acho que depende dos casos

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  3. É um debate pertinente. Se por um lado a tecnologia pode aproximar-nos de pessoas, pensamentos, ideias e exposições a que nunca teríamos acesso sem ela, por outro pode criar graves constrangimentos nas relações presenciais e até originar discussões das grandes por culpa do seu uso excessivo. Há que saber dosear a coisa, não há disso dúvida

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  4. Sinto cada vez mais este "muro". Presenciei uma vez á noite um grupo de pessoas que por acaso conhecia, sentadas a uma mesa de bar cada uma com o telemóvel. Estiveram assim a noite toda. Achei enganoso o facto de existirem fotografias no instagram deles nessa noite a sorrirem como se estivessem a divertir-se.
    Comentei isso com uma das pessoas desse grupo e a resposta dessa pessoa deixou-me triste e preocupada, Disse-me: "Nós passámos um bom bocado."
    Meu deus, será que estas pessoas têm a ideia distorcida de que para passarem um bom bocado com amigos, família, o que seja...basta estarem juntos cada um a mexer no seu aparelho e com uma pausa breve para algumas fotografias? Pior, será que se não existir uma prova documentada de que a saída deles existiu, o facto de terem estado juntos não é válido?

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